Dom Luís, o Príncipe perfeito na Guerra Mundial

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Dom Luís Maria Filipe Pedro de Alcântara Gastão Miguel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança, nasceu em Petrópolis no dia 26 de janeiro de 1878, sendo o segundo filho da Princesa Imperial Isabel e seu marido o Conde d’Eu.

Por seu gênio, ele foi alcunhado como o ‘Príncipe Perfeito’.

Desde pequeno mostrou ter uma personalidade forte e determinada, como em 1887, em uma viagem a Europa, houve um terremoto, e enquanto seus irmão choravam ele mostrou-se friamente tranquilo. Enquanto seu irmão mais velho Pedro era gentil e simpático, não gostava de estudar e se revelava normalmente desajeitado, Luís tinha força de vontade, era muito altivo e perspicaz. No auge da campanha abolicionista, ele e seus irmãos publicavam um jornal abolicionista no Palácio de Petrópolis.

Com o golpe que derrubou a monarquia no fim de 1889, toda a Família Imperial Brasileira partiu exilada para a Europa. A Princesa Isabel seu marido e seus filhos incluindo Luís se estabeleceram no Castelo d’Eu na Normandia francesa.

Ao atingir a maioridade, Luís seguiu para Viena, capital do Império Austro-Húngaro, governado por seu primo-tio segundo, para estudar na Escola Militar de Wiener Neustadt, para onde fora seu irmão Pedro e mais tarde iria seu irmão Antônio.

Em 1908, Luís ficou noivo de uma prima, Maria Pia de Bourbon, sobrinha-neta de sua avó materna, Imperatriz Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias. Do casamento com Maria Pia em fins de 1908, teve três filhos: Dom Pedro Henrique (1909-1981), Luís Gastão (1911-1931) e Pia Maria (1913-2000). Ao casar-se, Luís pediu seu desligamento do Exército Imperial Austro-Húngaro.

No mesmo ano, seu irmão maior, Pedro, renunciou aos direitos sucessórios da Coroa Brasileira e casou-se com a Condessa Elizabeth de Dobrzenicz, assim, Luís tornou-se Príncipe Imperial do Brasil – na condição de que D. Isabel era considerada de jure Imperatriz do Brasil.

Em 1914, seu irmão Dom Antônio, ao perceber que a guerra era inevitável, saiu das fileiras austríacas pouco antes do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, estopim do grande conflito.

Em agosto de 1914, se iniciou a Primeira Guerra Mundial, que na época fora conhecida como “A Grande Guerra”. A invasão da França pela Alemanha “ofereceu uma válvula de escape tanto para o idealismo como para o ativismo de Luís, que segundo suas próprias palavras, era um ‘soldado no fundo do coração’. Ele e o irmão Antônio precipitaram-se a defender a pátria dos ancestrais”. Como a lei os proibia de servir nas forças da nação, por serem membros da Família Real Francesa – Orleans, ambos se alistaram como oficiais do Exército Real Britânico.

Oriundos da Família Imperial Brasileira, considerados franceses, treinados pelos austríacos e servindo aos britânicos. É com esta trajetória que o simpático D. Luís e o combatente D. Antônio, como foram classificados por seu mordomo, entram na Primeira Guerra Mundial.

Os príncipes eram pessoas notáveis. O exército britânico avaliou que seria bom tê-los em suas fileiras — disse o embaixador Vasco Mariz.

O desembarque de D. Luís no conflito se deu em 23 de agosto de 1914 e teve duração de quase um ano. Como encarregado das comunicações entre os regimentos, ele atuou nos pântanos do Yser, no Norte da França.

Em 1915, combatendo nas trincheiras de Flandres e servindo como oficial de ligação, Luís contraiu um tipo agressivo de reumatismo ósseo que o deixou debilitado e incapaz de andar. Foi retirado em estado grave das trincheiras e levado para segurança, a fim de poder recuperar-se da moléstia. Em consequência de suas ações no conflito e por sua bravura, Luís recebeu diversas condecorações: Medalha Militar do Yser, pelo Rei Alberto I da Bélgica; Legião de Honra, no grau de cavaleiro, e a Cruz de Guerra, pelo Governo Francês; a British War Medal, a Victory Medal e Star pelo Reino Unido da Grã-Bretanha. A grave doença contraída nas trincheiras resistiu a todas as formas de tratamento e sua saúde foi piorando cada vez mais. O Príncipe morreu em 26 de Março de 1920.

“Homem como poucos, Príncipe como nenhum”
-Sua Majestade o Rei Alberto II da Bélgica, sobre o Príncipe Dom Luís do Brasil.

            Imagem: Dom Luís de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil entre 1908 e 1920.

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