Vaticano do Papa Francisco está ‘fazendo acordo com o diabo’, afirma dissidente chinês

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Advogado de direitos humanos diz que Partido Comunista Chinês insiste em controlar tudo, incluindo Deus.

Enquanto o Vaticano se prepara para ceder às demandas do regime chinês em troca da retomada das relações diplomáticas com a China, um dissidente chinês de renome internacional vem condenando o movimento do Vaticano como uma traição moral dos fiéis católicos em todo o mundo, num artigo intitulado “O Vaticano está fazendo um acordo com o diabo”.

Foi relatado recentemente que o Vaticano sob o Papa Francisco e o regime chinês estão perto de chegar a um acordo histórico sobre a retomada de suas relações diplomáticas, já que o Vaticano concordou com as exigências do regime chinês em relação à nomeação dos bispos na China. Um acordo poderia ser assinado em questão de alguns meses, de acordo com uma fonte do Vaticano.

O movimento é visto como uma reviravolta significante da posição de décadas do Vaticano sobre a questão e gerou críticas generalizadas à liderança do Papa Francisco. Os críticos apontam que desistir do direito de nomear os bispos privaria formalmente o Vaticano de qualquer liderança moral e substancial restante sobre os católicos chineses. Seria também, dizem os críticos, uma traição flagrante dos católicos domésticos da Igreja da China, que ainda são fortemente perseguidos pelo regime chinês.

O dissidente chinês e advogado de direitos humanos Chen Guangcheng é retratado durante sua visita ao Legislativo Yuan em Taipei, Taiwan, em 25 de junho de 2013 (Ashley Pon/Getty Images)
O dissidente chinês e advogado de direitos humanos Chen Guangcheng é retratado durante sua visita ao Legislativo Yuan em Taipei, Taiwan, em 25 de junho de 2013 (Ashley Pon/Getty Images)

Entre os críticos do acordo está Chen Guangcheng, um famoso advogado chinês de direitos humanos que ganhou atenção internacional em 2012 por escapar de sua prisão domiciliar e rumar para a Embaixada dos EUA em Pequim. Chen tem desde então residido nos Estados Unidos e prossegue na defesa dos direitos civis e em suas críticas consistentes ao regime chinês.

“O acordo do Vaticano é o equivalente a vender a casa de Deus para o diabo”, disse Chen Guangcheng num artigo de opinião publicado no website da Radio Free Asia em 20 de fevereiro.

Chen, que agora é um membro sênior no conservador Instituto Witherspoon e um visitante distinto no Instituto para Pesquisa Política e Estudos Católicos da Universidade Católica da América, disse que o Vaticano sob o Papa Francisco é ingênuo ao se render ao regime chinês, um acordo do qual apenas o Partido Comunista Chinês se beneficiaria.

“O Vaticano não entendeu que na China tudo está subjugado aos ditames do Partido Comunista Chinês?”, perguntou Chen. “Por que o Vaticano rompeu as relações com a China em 1951? Foi precisamente porque o Partido Comunista insistiu em que ele deveria controlar tudo, incluindo Deus.”

O Vaticano e a República Popular da China não têm relações diplomáticas desde 1951, já que o Partido Comunista Chinês insistiu desde o início de seu regime que deveria unilateralmente nomear todos os bispos da Igreja Católica Romana na China continental para que o regime pudesse manter o controle da Igreja e de seus adeptos. Uma Associação Católica Patriótica Chinesa (ACPC), controlada pelo regime, foi criada para supostamente representar os católicos na China.

O Vaticano sob todos os papas anteriores rejeitou esse acordo e se recusou a reconhecer os bispos unilateralmente “nomeados” pela ACPC. O poder de nomear bispos, conhecido como “investidura”, foi considerado como um dos núcleos dos ensinamentos da Igreja Católica.

Chen também argumentou sobre a controvérsia ocorrida recentemente a respeito das observações de um alto funcionário do Vaticano elogiando o regime chinês. Em entrevista, o arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo, que dirige a Pontifícia Academia de Ciências Sociais no Vaticano, disse que hoje o regime chinês talvez seja melhor para implementar os ensinamentos da Igreja sobre questões sociais.

O arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia de Ciências Sociais no Vaticano, fala durante uma conferência no âmbito do XII Encontro Internacional de Economistas, em Havana, Cuba, em 1º de março de 2010 (STR/AFP/Getty Images)
O arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia de Ciências Sociais no Vaticano, fala durante uma conferência no âmbito do XII Encontro Internacional de Economistas, em Havana, Cuba, em 1º de março de 2010 (STR/AFP/Getty Images)

“Eles estão fingindo serem ingênuos ou são realmente ingênuos?” questionou Chen. “Eles realmente estão tentando liderar a Igreja Católica, que tem um bilhão de seguidores, para fazerem um acordo com o Partido Comunista Chinês anticristão e anticristo?”

Chen também destacou que Sorondo, um dos principais defensores do acordo do Papa Francisco com o regime chinês, participou de uma controversa conferência de tráfico de órgãos em Pequim em agosto de 2017 e fez observações polêmicas sobre o regime chinês e a política de doação de órgãos da China.

“A ignorância voluntária de Sorondo vai além de repugnante”, disse Chen, ressaltando que o regime chinês ainda não se responsabilizou pela amplamente relatada extração forçada de órgãos de praticantes do Falun Gong e de outras vítimas na China.

“Ao fazer um acordo com o diabo que é o Partido Comunista Chinês, o Vaticano só se humilhará e manchará a Igreja de Deus que ele supostamente representa”, afirmou Chen.

Fonte – Epoch Times

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