A Rebelião Taiping

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Dezembro de 1850 – Agosto de 1864

Tudo bem, você pode ter achado esse assunto nada atrativo e totalmente desnecessário pra um ocidental conhecer, visto que é um post com nome xing ling e a imagem em si lembra muito a arte oriental. Mas e se eu te disser que a supracitada rebelião foi o conflito armado que mais matou na História? As coisas ficam mais interessantes? Entenda:

A Rebelião Taiping começa quando um chinês chamado Hong Hung (ou Hong Xiuquan) tem uma suposta visão de Deus, na qual este lhe diz que o mundo está cultuando demônios e que era a missão de Hung limpar seu povo dos falsos cultos. A partir daí, o homem se declara irmão de Jesus Cristo e começa a pregar a igualdade social, a redistribuição das riquezas e o fim da Dinastia Qing, que “seguia a falsos deuses”. Seu discurso começa a atrair seguidores (visto que a Dinastia no poder era fracassada com relação a políticas internas, o país estava em guerra e os grandes mercadores viviam na bonança), e o que era a crença de um louco passa a virar o credo de milhares, e depois milhões de chineses. Começou a organizar a destruição de ídolos, e imagens de deuses de religiões tradicionais em toda a China passaram a ser consideradas proibidas.

Numa economia baseada em dízimos, ergue uma milícia camponesa, composta por homens destemidos da morte e da derrota, pois acreditavam fazer um trabalho divino. Essa milícia começa a se expandir, dominando pequenas vilas no vale do Rio Azul. Evitando as grandes cidades, em que o poder militar do Império era maior, e crescendo em força a cada dia, nasce em torno do místico e de seus seguidores, os “Adoradores de Deus”, o Reino da Paz Celestial (sim, o conflito que resultou no maior saldo de mortes da História tinha, de um lado, hippies). Ao lançar uma investida de sucesso contra Nanquim, torna-a sua capital.

Tudo está dando certo para os cristãos exóticos que seguiam expandindo a Revolução Taiping. Até que os Qing viram o jogo. Num ataque falho a Pequim, Hong Hung perde força e moral: o suposto filho de Deus fora parado nos muros da capital pelos supostos adoradores de demônios. Ao mesmo tempo, o Império termina formalmente a Segunda Guerra do Ópio, contra ocidentais, que concentrava a grande parte de seus esforços. Numa jogada de habilidade política, os Qing conseguem apoio dos europeus para estabilizar a situação dentro do país e garantir os interesses das classes poderosas na sociedade chinesa, que eram comuns aos dos magnatas do Velho Mundo. E tudo o que antes fluía a favor do Reino da Paz Celestial passa a ruir sobre ele: num cerco contra a cidade de Nanquim, a China Imperial obtém uma vitória esmagadora.

Encarando a derrota e sabendo que a cidade passaria a mãos inimigas em pouco tempo, o Rei Celestial Hong Hung ingeriu veneno. Seu corpo foi descoberto, e despejado no esgoto da cidade pelas tropas imperiais. Estima-se que além do próprio Rei Celestial, morreram nessa rebelião entre trinta e cinquenta milhões de pessoas, a maioria civis. A Primeira Guerra Mundial, para se ter uma ideia, matou, nas perspectivas mais pessimistas, cerca de dezessete milhões de pessoas, entre civis e militares. 

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