Adapte-se… ou corra para debaixo da saia do Estado

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Em meu primeiro artigo aqui no Conservadorismo do Brasil, quero analisar uma reportagem feita pelo G1 sobre o Uber e seus impactos em São Paulo. Esta matéria é um prato cheio para nós por vários motivos. Explico:

Quando os entrevistados são os usuários, os relatos são positivos – o transporte ficou mais barato, mais confortável, mais seguro e se torna de fato uma opção viável ao próprio carro. 93% dos passageiros aprovam o Uber, que se popularizou na cidade inteira.

A pesquisa também mostrou que um quarto dos paulistanos já pegou um Uber, e 93% deles avaliaram o serviço como ótimo ou bom. Gente que antes nem pensava em pegar táxi para não gastar muito, hoje vai para cima e para baixo de “motorista particular”.

Aqui pode-se extrair um paralelismo interessante. Lula e Dilma vivem bradando aos quatro ventos que seus governos permitiram que “o pobre andasse de avião”. É possível que, em um futuro não tão distante, Haddad use como trunfo o “no meu governo, pobre anda de motorista particular”. Ora, o que permitiu o acesso a ambos os serviços, antes considerados de elite? Foi o governo, ou foi a abertura do mercado e a redução de preços e aumento da qualidade causados pela concorrência?

Além disso, com os aplicativos inundando as ruas de carros, os motoristas precisarão dirigir cada vez mais horas para conseguir lucrar com a atividade. […] O primeiro impacto da chegada da Uber foi tirar os taxistas do ponto morto. Se antes para ter passageiros bastava rodar ou esperar no ponto, hoje eles dão desconto e abrem mão de taxa de retorno de 50% sobre a corrida para outros municípios na tentativa de chegar a um preço próximo do praticado pelo aplicativo.

Mais um impacto positivo da concorrência, e talvez o motivo principal que leva taxistas a protestar e até mesmo agredir motoristas do Uber. A concorrência e o livre mercado destroem monopólios estabelecidos, remove os piores prestadores de serviços e nivela por cima – ao contrário das pesadas regulamentações estatais, que protegem os maus trabalhadores.

Especialistas em mobilidade afirmam que toda concorrência é boa e que a chegada da Uber trouxe mudanças importantes para o transporte. Porém, quando uma empresa passa a eliminar os demais e dominar o mercado, o cliente perde. Com cerca de US$ 15,3 bilhões em caixa, a Uber pode reduzir cada vez mais a tarifa, a taxa que cobra dos motoristas e caminhar para o monopólio do setor.

“Fiquei exclusivamente no Uber por um ano e oito meses e hoje uso dois aplicativos. O Cabify paga incentivo, e eu recebo R$ 1,2 mil se ficar 60 horas conectado por semana e concluir 30 corridas” – motorista não identificado

Ora, os táxis não monopolizaram o transporte particular pago por décadas? Não existem, hoje mesmo, concorrentes do Uber a ponto da própria reportagem compará-los em termos de preços e benefícios? E a disputa pela mão de obra não tende a elevar seu valor? Pelo visto o G1 se esqueceu de convidar especialistas em economia (que não seja um lunático socialista) para traçar o mesmo cenário que já foi demonstrado milhares de vezes ao longo da História (volto nisso mais tarde). Veja, a própria reportagem reconhece que motoristas e usuários podem sair ganhando com o Uber e seus concorrentes – mas faz um alerta estranho, como se tarifas mais baixas e um serviço de qualidade fossem um pesadelo comparado ao cenário de preços tabelados e serviço porco atuais.

“Não é uma realidade auspiciosa para o motorista de táxi. São empregos que vão virar pó. […] Se os consumidores não ganhassem, eles não estavam usando”  – Sérgio Ejzenberg, consultor de transporte

Os motoristas que hoje reclamam da “ameaça sombria” do Uber sobre seus empregos têm a opção de se adaptar, seja se unindo ao maldito inimigo, ou buscando melhorar os seus próprios serviços. Aliás, os mesmos devem se lembrar que, tempos atrás, o transporte era feito por charretes, e antes delas outros meios quaisquer. O próprio emprego deles de hoje se deve a uma evolução tecnológica, e todos se beneficiam.

A célebre frase diz “adapte-se ou morra”. Aqui no Brasil, mudaram a célebre citação.

Por Eduardo Maia

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