El Fuerte de La Navidad

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O “Fuerte de La Navidad” (Forte do Natal ou Forte Natalino, em tradução livre e literal), como é conhecida a primeira fortificação europeia na América, se chama assim por um motivo e uma coincidência: na madrugada do dia 24 para o dia 25 de dezembro de 1492, o almirante Cristóvão Colombo descansava após dois dias seguidos de navegação acordado ao leme, deixando o comando do navio, que rumava ao encontro do cacique indígena Guacanagari (este já tendo recebido muito bem emissários do almirante, inclusive dando mimos e algum ouro como presente de hóspede) na costa norte da Ilha de Hispaniola (atual Ilha de São Domingos), com um mero marinheiro. A nau em que se encontrava, a capitânia Santa Maria, acabou por encalhar num banco de areia sob o comando deste marinheiro. Ele enviaria Pedro Gutiérrez e Diego de Arana para contatar o cacique amigo quanto ao acidente, e este, assim que foi noticiado, enviou canoas para ajudar a transportar carga, mercadorias, suprimentos e homens do navio encalhado para a caravela Niña. Graças à ajuda dos nativos, os espanhóis puderam se organizar e aportar em segurança, os materiais brutos da Santa Maria (como a madeira, de alta resistência, e metais) sendo levados com sobrecarga pela Niña, um navio menor que a antiga capitânia.

Com este desastre no dia de Natal, os tripulantes da expedição são acoitados pelos indígenas, enquanto Colombo decide ser aquele momento estratégico para a história da Espanha: a fundação da primeira fortificação de um país no Novo Mundo, para abrir caminho a uma nova colônia dos Reis Católicos neste exótico lugar. Ordenou que, com os materiais trazidos do naufrágio da Santa Maria, fossem construídos uma torre fortificada e uma pequena vila, o conjunto sendo chamado “Villa Navidad”. Rapidamente se iniciaria a construção, provavelmente com apoio dos nativos de Guacanagari, que seria erguida até o início de janeiro de 1493. Algumas figuras ilustres que faziam parte de um grupo majoritário, segundo as palavras do próprio Cristóvão Colombo: “grande parte da tripulação que viaja comigo me havia pedido e implorado para dar-lhes permissão de ficar aqui.”, pediram para se assentar na ilha, como o próprio Diego de Arana, no cargo de “governador provincial”, Pedro Gutiérrez, um nobre que ocupava, no Velho Mundo, o posto de “repostero de estrado” do Rei Fernando I de Aragão, uma espécie de decorador de alta extirpe, e Rodrigo de Escobedo, escrivão da frota [considerado o primeiro “notário” da América (um notário é uma espécie de “tabelião”, mas para entender melhor, é todo funcionário que tem autoridade para autenticar documentos e atos públicos, além de redigí-los), por ter declarado a posse espanhola das terras da ilha de Guanahani, a primeira em que a frota de Cristóvão desembarcou]. Junto com eles, outros trinta e seis tripulantes se tornariam colonos da América.

Os nativos não forneceram proteção, ouro e amizade gratuitamente, e quando se comunicou por via de sinais com o líder dos europeus, logo requereu a aliança destes em sua incessante luta contra as tribos canibais da ilha (a segunda maior do Caribe). Colombo disse que, dentro de um ano, quando regressasse, traria uma carta dos Reis Católicos declarando os canibais inimigos da Coroa Espanhola e os meios para exterminá-los, vendo logo que o amigo nativo seria fundamental para a proteção e manutenção da nova colônia. Para selar o acordo com o indígena, presenteou-o com uma peça de artilharia de sua frota e para exibir sua capacidade de cumprir a promessa, usou-se do disparo de uma arma de fogo que trazia consigo. Já Guacanagari presenteou o amigo de terras longínquas com uma caixa lotada de ouro e jóias, que notou interessarem muito aos homens brancos.

Neste ato de amizade, inicia-se a colônia de Villa Navidad, da qual o Almirante Cristóvão Colombo parte rumo à Península Ibérica, levando animais, plantas, terras e outros recursos naturais que poderiam provar com certeza que o navegador não era um farsante. Todos os relatos do novo continente (que todos acreditavam ser “as Índias”) escritos pelo – agora famosíssimo – almirante se espalharam rapidamente pela Europa, quebrando tabus antigos da navegação e tornando a corte espanhola uma das mais exóticas conhecidas, com os novos materiais trazidos “das Índias” e os ares da modernidade aflorando. O entusiasmo de Isabel I de Castela e de seu marido Fernando I de Aragão com os resultados da expedição faria com que eles preparassem nova viagem para Cristóvão, desta vez com mais suprimentos, tripulantes, estrutura e com o objetivo real de fundar uma colônia nas Índias – o que não era o caso na primeira viagem do visionário genovês.

Ao retornar à colônia em 1493, Cristóvão Colombo encontraria uma visão desoladora – cadáveres com barba estirados para todos os cantos do forte. Atestando serem – pela barba – os colonos espanhóis, a nova expedição tenta contato com os nativos aliados, disparando com seus canhões para alarmá-los de sua chegada. Pela noite, Guacanagari envia uma canoa para falar com os europeus, que é ignorada. No outro dia pela manhã, outra canoa chega, enviando notícias, dizendo que os colonos morreram por conta de doenças tropicais e que Guacanagari não pôde ir dar-lhes as boas vindas pois estava ferido por um combate recente com os canibais. Assim sendo, Colombo aceita ir à tribo conversar com o cacique, e ao conversar com ele descobre que os homens que deixara “nas Índias” foram assassinados pelos nativos canibais. Assim, o Almirante dos Reis Católicos decide por fundar outra colônia, a de La Isabela, em homenagem à Rainha Isabel I de Castela, financiadora de suas viagens. Esta também teria duração curta, sendo findada apenas dois anos após sua fundação.

IMAGEM= A construção do Forte de la Navidad, ilustração realizada para a edição de 1851 de Gaspar e Roig da obra “Vida e Viagens de Cristóvão Colombo”.

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