Muro das Lamentações, um lugar para se depositar esperanças

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Foi Abraão o primeiro a conectar o atual povo judeu à cidade de Jerusalém, porque foi no Monte Moriá, na atual Jerusalém, que Deus (Jehová) provou a fé de Abraão ao pedir-lhe que sacrificasse seu amado filho Isaque. Quando Abraão ia sacrificar seu filho, Deus o impediu, pois era apenas uma prova para testar o coração de Abraão. Por causa disso, Deus abençoou Abraão e seus descendentes. Esse é um dos motivos que faz de Jerusalém um lugar especial e sagrado aos judeus.

Conforme a Bíblia ou a Torá, no século X a.C., as terras onde é atualmente Jerusalém eram do povo jebuseu. O rei Davi comprou-as e fez delas a capital do povo israelita. Davi quis construir um templo para adoração de Deus (Jehová) no local, mas Deus negou-lhe esse desejo porque Davi havia derramado muito sangue nas guerras contra os inimigos do povo hebreu. No entanto, isso foi permitido a seu filho Salomão, cuja raiz do nome significa “paz”.

Templo de Salomão reconstituído por computador.

Templo de Salomão reconstituído por computador

O Rei Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado seguindo o plano arquitetônico original de Davi, seu pai. A obra durou sete anos e ficou conhecida como o Templo de Salomão. O reinado de Salomão foi um período de prosperidade e paz, e que só foi possível depois das guerras vencidas anteriormente por Davi, seu pai.

Em 586 a.C., séculos depois, Nabucodonosor II, rei da Babilônia, conquistou e destruiu totalmente Jerusalém levando seus tesouros e fazendo dos hebreus seus escravos. Esse período é chamado de Cativeiro na Babilônia.

Décadas mais tarde, em 539 a.C., com a conquista da Babilônia pelos Persas, os judeus foram autorizados, pelo rei persa Ciro, a regressar à terra de Judá, em particular à Jerusalém, para reconstruirem o Templo de Salomão.

À época de Jesus, Herodes I (73 a.C.-4 d.C.), rei de Israel subordinado ao Império Romano, querendo conquistar a simpatia dos judeus, iniciou a reconstrução e ampliação do templo. O Templo ficou conhecido como Templo de Herodes. Nessa época o povo judeu estava sob o domínio dos romanos e, devido a uma revolta do povo judeu, no ano 70, o general romano Tito invadiu Israel e, numa demonstração de força, destruiu totalmente o Templo, exceto boa parte de seus muros externos, para que os judeus, ao olharem para o que restou do Templo, lamentassem a amarga vitória dos romanos sobre eles. É dai que advém o nome Muros das Lamentações. Porém, os judeus atribuem a permanência do muro a uma promessa feita por Deus, segundo a qual, sempre ficará de pé ao menos uma parte do templo sagrado como símbolo da sua aliança perpétua com o povo judeu.

Das três secções do muro que restaram depois da destruição – a do leste, do sul e do oeste – é a do oeste, a ocidental, onde está situado o Muro das Lamentações, daí ser também chamado de Muro Ocidental.

Na atual Esplanada das Mesquitas, lugar onde ficava o Templo de Salomão, há a Mesquitas de Al-Aqsa (cúpula dourada) e a Mesquita do Domo do Rochedo.

Na atual Esplanada das Mesquitas, lugar onde ficava o Templo de Salomão, há a Mesquitas de Al-Aqsa (cúpula dourada) e a pequena Mesquita do Domo do Rochedo

Depois de uma longa história de guerras e conflitos, no local onde existia o Templo de Salomão é atualmente o Monte do Templo ou a Esplanada das Mesquitas, onde os muçulmanos construíram as Mesquitas de Al-Aqsa e a Mesquita do Domo do Rochedo. De acordo com a crença dos muçulmanos, foi na Esplanada das Mesquitas onde ocorreu a ascensão do Profeta Maomé aos céus de Alá e isso faz desse lugar o terceiro mais sagrado aos muçulmanos, depois de Meca e Medina. O Muro das Lamentações é o segundo lugar mais sagrado do judaísmo, atrás somente do Santo dos Santos no Monte do Templo.

Portanto, o lugar onde havia o Templo de Salomão é sagrado tanto aos judeus como aos muçulmanos. É uma área bastante sensível em termos políticos e religiosos, especialmente porque os judeus têm restrições quanto a circular na Esplanada das Mesquitas, que está sob jurisdição islâmica.

As tradições judaicas praticadas no Muro das Lamentações:

A tradição de colocar nas fendas do Muro um papel dobrado com pedidos escritos nele endereçados a Deus Jehová já existe há séculos. É um lugar para se depositar esperanças. O Muro também é um local de orações. É possível encontrar pessoas rezando dia e noite à frente do Muro das Lamentações.

Celebração de um Bar Mitzvá no Muro das Lamentações em Jerusalém.

Celebração de um Bar Mitzvá no Muro das Lamentações em Jerusalém

Nas segundas, quintas e sábados, famílias do mundo todo e de Israel enchem o local para a realização da cerimônia que insere o jovem judeu como membro maduro na comunidade judaica. Quando um judeu atinge a sua maturidade (aos 12 anos e um dia para moças, e aos 13 anos e um dia para rapazes), ele se torna responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvá (filho do mandamento) e a menina a ser Bat Mitzvá (filha do mandamento). Essa cerimônia é chamada de B’nai Mitzvá (filhos do mandamento).

Mulheres rezando frente ao Muro na parte reservada a elas.

Mulheres rezando frente ao Muro na parte reservada a elas

O Muro é funcionalmente dividido em duas secções: uma para os homens e outra para as mulheres. Na hora de ir embora, não se deve dar as costas para o Muro, por questão de respeito. Não estranhe se encontrar pessoas andando de ré ao se afastarem do muro!

Para se visitar o Muro, há necessidade de se passar por detectores de metais ou mesmo revistas. Por questão também de respeito, as mulheres devem levar um lenço para cobrir os ombros, caso estejam vestindo blusas regatas ou de alças. Também devem vestir vestidos/bermudas de comprimento abaixo dos joelhos. Os homens devem levar um boné ou chapéu para cobrir a cabeça. Eles são bem rigorosos quanto a essas coisas.

O Muro das Lamentações e todo o seu entorno, por sua história e importância cultural, é um dos lugares do mundo que merece ser conhecido.

Fonte – Epoch Times

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