E se a Intolerância fosse uma condição de existência? – Parte 1

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Foto de restos mortais resultantes do genocídio armênio.

E se eu te dissesse que uma nação demasiada flexível caminha à passos largos para a própria destruição? Neste e no próximo artigo, explico como alguns países se tornaram antifrágeis, enquanto a Europa Ocidental semeia a própria decadência.

(Trecho do meu livro “O que o Brasil pode aprender com a Polônia – Lições para reconstruir um país”)

Mas vamos viver como se os séculos fossem nossos;

Calmamente estabelecer as fundações em um país livre.

E se alguém colocar fogo em nossa casa

Cada um de nós deve estar pronto

Porque é melhor ter de morrer de pé

Do que nos ajoelharmos e viver dessa maneira.

Jerzy Narbutt[i]

Armênia, Líbano, Polônia; povos que passaram por genocídios e massacres. Nações que resistiram à grandes e repetitivas destruições durante a história e tem um fator em comum: a adoção de valores pelos quais devemos construir algo vai além do tempo de nossas próprias vidas. Que nossa presença no mundo não é a razão de si mesma, que somos parte de algo que atravessa gerações e cujo destino, pela fé, é por e para uma entidade superior. Isso é o que chamarei aqui de ontologia da eternidade.

Ontologia, no seu significado aristotélico, é o estudo da natureza da própria existência. E a ontologia da eternidade é o oposto do hedonismo que infecciona povos, países e até impérios inteiros nos momentos que precedem a decadência destes. O hedonista, focado na busca por todo prazer possível nos parcos anos que lhe restam de vida, é frágil. Talvez não exista nada mais fácil de ser eliminado da existência do que um povo cujo ânimo se resume em buscar a felicidade e o conforto. Estes chacoalham a bandeira branca da rendição ao som do primeiro estampido, se isso significar que amanhã poderão passar o dia entorpecidos em álcool e prostitutas.

Já o anti-hedonista assume o dever de irradiar o legado das gerações anteriores para as vindouras, de guardar sua honra, de tornar o povoado, comunidade ou pátria o mais próximo do ideal filosófico e religioso transmitido através dos tempos. Ele não busca consumir toda faísca de sua vida em prazeres inconsequentes, mas sim na manutenção do que lhe foi transmitido e, se possível, em seu aprimoramento. Em última instância, no caso de povos cristãos como os armênios ou polacos, essa perseverança é parte da caminhada para a vida eterna. Este modo de pensar torna essas sociedades antifrágeis.

Antifrágeis são os povos que sob pressão e ameaça não somente se mantém em pé, mas crescem em seus valores e florescem em suas virtudes. Sobrevivem mesmo quando estão em menor número. Formam, quando isso acontece, o inflexível vitorioso.

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Levi Borba, Escritor, Imigrante e Empreendedor, autor dos livros “O que o Brasil pode aprender com a Polônia” (https://www.amazon.com.br/dp/B081S2GVW3) e “Moving Out, Living Abroad and Keeping your sanity” (https://www.amazon.com/dp/B084GF14CZ) bem como fundador 

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