Ernesto Araújo defende Eduardo Bolsonaro e pede retratação do embaixador chinês

0
222

Após desentendimento entre o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro e Embaixador chinês, Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo divulga nota oficial

Muitos estão culpando a Itália pelo surto do vírus chinês que ocasionou centenas de vítimas na Itália. Um dos motivos seria a hipótese de que os italianos não se preocuparam com o vírus, fazendo pouco caso da situação. Mas o silêncio do governo chinês e a ocultação dos primeiros casos do Covid-19 naquele país, somado a equívocos da própria Organização Mundial da Saúde (OMS) para tratar o caso, são agravantes que estão sendo ignorados por parte da grande imprensa, que rapidamente lança a culpa pelo surto aos governos afetados, exceto ao governo comunista da China.

Em razão dos equívocos e das informações ocultadas pelo próprio governo chinês, o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, em uma entrevista, afirmou que o COVID-19 tem sua origem na China. Yang Wanming, Embaixador da China no Brasil se sentiu ofendido pelo deputado ter pontuado a verdade e se referindo ao vírus como vírus chinês e se pronunciou em suas redes sociais.

De acordo com Embaixador, que usou a conta oficial da embaixada, as declarações do deputado feriam as boas relações comerciais de ambos os países e, em um tom de ameaça, afirmou que a declaração de Eduardo Bolsonaro era “anti-China”.

“As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos”, escreveu o perfil oficial da embaixada no Twitter, citando o deputado federal.

Em outro tuíte em que cita Eduardo, Wanming também diz que as acusações do deputado são “um insulto maléfico contra a China e o povo chinês”. “Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial”.

Entre um tuíte e outro vociferando contra o deputado federal e marcando o ministro Ernesto Araújo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e o perfil oficial da Câmara dos Deputados, o Embaixador, através do perfil oficial da embaixada China-Brasil, compartilhou e curtiu posts de parlamentares e jornalistas que atacavam diretamente o presidente Jair Messias Bolsonaro.

Por meio de nota oficial, o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se pronunciou:

“É inaceitável que o Embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao Chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores, como infelizmente ocorreu ontem à noite.

As críticas do Deputado Eduardo Bolsonaro à China, feitas também em postagens ontem à noite, não refletem a posição do governo brasileiro.

Cabe lembrar, entretanto, que em nenhum momento ele ofendeu o Chefe de Estado chinês. A reação do Embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática.

Já comuniquei ao Embaixador da China a insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento. Temos expectativa de uma retratação por sua repostagem ofensiva ao Chefe de Estado.

O Brasil quer manter as melhores relações com o governo e o povo chinês, promover negócios e cooperação em benefício recíproco, sem jamais deixar de lado o respeito mútuo.

Conversarei com o Deputado Eduardo Bolsonaro e com o Embaixador da China, procurando promover um reentendimento recíproco”.

Eduardo Bolsonaro

Por meio de nota oficial, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, esclarece que:

“Jamais ofendi o povo chinês, tal intepretação é totalmente descabida. Esclareço que compartilhei postagem que critica a atuação do governo chinês na prevenção da pandemia, principalmente no compartilhamento de informações que teriam sido úteis em escala mundial.

Estimular o debate é função do parlamentar brasileiro, tendo pra isso a prerrogativa da imunidade parlamentar (art.53, CF) como garantia constitucional, para que deputados possam exercer tal direito.

Assim, mesmo vivendo numa democracia com ampla liberdade de imprensa e expressão, não identifiquei qualquer desconstrução dos meus argumentos por parto do embaixador chinês no Brasil. Este apenas demonstrou irritação com meu post e direcionou erroneamente suas energias no compartilhamento de posts ofensivos à honra de minha família – este sim um fato grave e desproporcional. Porém, enxergo como positivo que tais fatos tenham trazido à tona o debate de como governos podem (e devem) tentar evitar pandemias.

Esclareço ainda que meu comportamento não tem o mínimo de traço de xenofobia ou algo similar. Na comunidade médica, é bem comum que doenças sejam batizadas em referência à localidade de origem da mazela. Por exemplo, a gripe espanhola traz em seu nome o país na qual foi originada; o vírus Ebola faz referência ao rio de mesmo nome, localizado no Congo.

A comparação entre o coronavírus e a tragédia da usina nuclear de Chernobyl também não é novidade. Matérias de veículos como BBC, Financial Times, Foreign Policy, Newsweek e até mesmo das brasileiras Folha de São Paulo e Globo fazem comparações entre o ocorrido em Chernobyl e o alastramento do coronavirus, pois ambos os casos ocorreram em países cuja a liberdade de expressão e imprensa eram/são limitadas pelo governo. Para citar apenas um exemplo, o governo atual da China bane plataformas como Twitter, Facebook e Whatsapp, que tem sido fundamentais no esclarecimento de dúvidas da população mundial quanto à atual pandemia.

A mutação genética de um vírus pode nascer em qualquer país, mas é obrigação das autoridades deste informar a sociedade e tomar as melhores medidas para conter seu avanço (e não agir mantendo sigilo da real condição da doença). As vidas das pessoas devem estar em primeiro lugar, acima de qualquer interesse do Estado.

Não desejamos problemas com a China e certamente, o país asiático também não busca conflitos com o Brasil. Não creio que um tweet isolado de um parlamentar levantando questionamentos sobre a conduta de um governo estrangeiro tenha condão para tanto, visto que a discussão de pautas globais é prática normal na comunidade internacional, servindo para aperfeiçoamento de políticas de governo ao redor de todo o mundo.

Não permitir que esse debate ocorra seria deliberada censura, contrariando todos os ideias (sic) de democracia do povo brasileiro. E vale lembrar que países com posições políticas distintas mantém relações de comércio; podemos tomar como exemplo o fato de que o maior parceiro comercial da China é os EUA, enquanto o país norte-americano tem como seu 3º maior parceiro comercial o país asiático.

Jamais tive a pretensão de falar pelo governo brasileiro, mas devido a toda essa repercussão, despido de qualquer vaidade ou ego, deixo aqui cristalina que minha intenção, mais uma vez, nunca foi a de ofender o povo chinês ou de ferir o bom relacionamento existente entre os nossos países. Manifesto ainda no sentido de lhes dar boas-vindas ao nosso país e explicitar minha estima pela contribuição da comunidade chinesa no desenvolvimento do Brasil, terra famosa pelo seu povo acolhedor”.

Em resposta ao Ministro Ernesto Araújo, o Embaixador Yang Wanming apagou o tuítes ofensivos ao presidente Jair Messias Bolsonaro da conta oficial da embaixada.

Conselho de Ética

Os deputados Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Marcelo Calero (Cidadania-RJ) entraram nesta quinta-feira com um pedido de abertura de processo ético-disciplinar, por quebra de decoro parlamentar, devido às declarações de Eduardo responsabilizando a China pela pandemia do vírus chinês.

“Diante desses fatos e da grave crise social e econômica que os brasileiros vão enfrentar, o discurso do filho do presidente é irresponsável, prejudica os interesses nacionais e periga agravar turbulência pela qual o país está passando”, escreveu Marcelo Freixo, na representação.

“Eduardo, você não é diplomata! Ia ser embaixador só porque seu papai ia te arrumar uma embaixada, numa manobra nepotista. Falta um diploma para você do Instituto Rio Branco. Deixe a diplomacia ser gerida sem ideologia. Não é para você meu caro!”, frisou Calero. “Por conta dessa manifestação tão fora de propósito, irresponsável e infantil, eu vou te levar para o Conselho de Ética”, completou.

Ciro Gomes, apoiador declarado do Partido Comunista Chinês, avesso a liberdade e com clara postura ditatorial, também criticou a postura de Eduardo Bolsonaro e cobrou a sua cassação.

CURTA O CONSERVADORISMO DO BRASIL NO FACEBOOK

COMENTÁRIOS