Rede Globo usa Drauzio Varella como escudo no caso do criminoso travesti Suzy

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    Globo erra novamente ao usar o médico como escudo contra as contestações ao seu jornalismo.

    O abraço paternal do médico Drauzio Varella no detento travesti Suzy de Oliveira em quadro do programa Fantástico, da Rede Globo, viralizou nas redes sociais e gerou comoção na imprensa brasileira.

    Na última semana, Suzy recebeu centenas de cartas e doações em dinheiro por meio de uma vaquinha virtual. Ninguém sabia detalhes de sua condenação pois a Globo omitiu a informação na reportagem.

    Neste domingo (8), a sociedade brasileira ficou sabendo sobre o crime hediondo praticado pela presidiária. Ela estuprou e matou um menino de nove anos.

    Drauzio disse não ter conhecimento sobre a ficha criminal de Suzy no momento da gravação.

    “Não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz”, esclareceu o médico em nota à imprensa

    “O especialista em saúde do Fantástico não tinha a obrigação de questionar Suzy, mas a Rede Globo, sim”, destaca o colunista Jeff Benício, em blog “Sala de TV” no portal Terra

    “A informação era relevante. Tanto assim que sua revelação, agora, influencia a formação de opinião dos telespectadores. Ainda que não tenha existido a intenção de manipular, a edição induziu o público a se comover e sentir compaixão. Neste caso, a omissão de um dado prejudicou a precisão jornalística. E, no jornalismo profissional, não deve existir espaço para dúvida ou incongruência”, acrescenta o colunista. 

    Na edição deste domingo (8), o Fantástico apresentou uma nota de explicação.

    “Os crimes das entrevistadas não foram mencionados porque este não era o objetivo. O quadro gerou muita empatia no público, mas também críticas exatamente por não mencionar os crimes”, disse um dos apresentadores.

    “Drauzio Varella fez o juramento a Hipócrates; a Globo, não. A emissora errou antes, ao não revelar os delitos das entrevistadas, e erra novamente agora ao usar o médico como escudo contra as contestações ao seu jornalismo”, finaliza o colunista Benício.

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