A reação Polonesa contra a União Européia e o Coronavírus – Parte 1

Como países tais quais a Polônia, a Hungria e a Eslováquia lutam para manter suas soberanias nacionais em tempos de globalismo.

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União Europeia Globalista
Como a União Européia destrói soberanias nacionais

Em tempos de crises, onde orgãos globalistas como a União Européia procuram destruir as soberanias nacionais, compartilho com vocês um trecho do livro que escrevi (O que o Brasil pode aprender com a Polônia – Lições para reconstruir um país).

Na Parte 2, concluirei sobre como essa reação está ligada ao incrível sucesso do país na luta contra o Coronavírus.

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Tais momentos na história da civilização foram experimentados algumas vezes. Eles têm algumas características comuns, independentemente das condições de tempo e lugar: a queda da fé, mas a crendice em qualquer coisa; o colapso do raciocínio- o desaparecimento da criatividade; a destruição do bom-gosto – preferência sobre a fealdade ao invés da beleza; a decomposição da disciplina moral e a queda dos costumes; finalmente, a disseminação de várias superstições, substituindo crenças religiosas. Todos esses recursos aparecem de maneira muito proeminente na vida atual de nossa civilização.

Roman Dmowski, Kościół, naród i państwo, 1927[i]

Desde a segunda metade do século XX, a União Europeia corroeu paulatinamente a soberania dos estados-nação, tornando as leis locais subordinadas àquela decidida por figuras não eleitas e distantes. Embora o projeto de uma união delineada por Kalergi e desenvolvido por Altiero Spinelli já propunha, na primeira metade do século XX a destruição das soberanias nacionais e das tradições locais, a implantação foi gradual e demorou décadas. Tal qual um sapo que jogado em uma panela fervente, salta fora, mas se for colocado em água fria e esquentado em fogo baixo é cozido até a morte, o europeu médio não percebeu que, aos poucos, sua autonomia, culturas, religiões e idiossincrasias eram depredadas pelo leviatã disfarçado de bloco econômico.

Um dos primeiros tratados da comunidade europeia, o assinado em 1957 em Roma, abordava em sua maioria questões econômicas como a tributação entre os países. Mas nos tratados posteriores, mais e mais poderes foram sendo retirados dos governos nacionais, culminando no tratado de Lisboa em 2009. Mesmo parlamentares de longa data da União Europeia criticaram o novo tratado, como o dinamarquês reeleito seis vezes Jens-Peter Bonde, que escreveu sobre a transferência de poder dos congressos nacionais para o parlamento europeu:

É precisamente esta pedra angular democrática (o voto local) que é atropelada no Tratado de Lisboa. Não é totalmente removida, mas é transformada em algo muito distante. Na prática, está fora do quadro de referência do Tratado de Lisboa. Ainda podemos ter eleições, mas não podemos usar nosso voto para alterar a legislação nas muitas áreas em que a União tem o poder de decidir. É um processo muito, muito longo para alterar uma lei da UE nos termos do Tratado de Lisboa. O poder de fazer isso não está na maioria comum dos eleitores. Ele também exige um grande esforço em muitos países para mudar uma lei. Exclusividade de propostas: Apenas os não eleitos têm o direito de propor legislação na UE

 

Cartoon União Europeia

Novos Tratados, e mais poder.

O tratado de 2009 resultou em uma atribuição de enormes poderes legislativos à UE e sua elite de líderes não-eleitos e portanto sem a necessidade de responder ao povo. A partir daí, o que se resultou foi uma pressão de Bruxelas e Estrasburgo para que os países membros, entorpecidos por financiamentos polpudos para a construção de estradas ou aeroportos, aprovassem leis e mais leis contrárias à vontade de seus povos e suas crenças. Leis que favoreciam o aborto, o lobby LGBT, a agenda multiculturalista e anti-cristã foram aprovados em sequência sempre sob a desculpa de proteção aos direitos humanos e à democracia (dois cacoetes que a esquerda usa à exaustão para iludir desavisados)

Surpreendentemente, ainda que a Polônia tenha se juntado a União Europeia cinco anos antes do tratado de Lisboa, o país conseguiu colher os frutos de um bloco econômico (acesso ao mercado comum europeu e suas fontes de financiamento) enquanto soube resistir às pressões legais, mesmo sob ameaça de sanções ou até mesmo de expulsão do bloco. Nas últimas décadas, o esforço legislativo dos burocratas da UE resultou que o aborto seja legal em todos os países da União, exceto na Polônia[ii]. Também é legal ou tolerada em todo o território do bloco a eutanásia, exceto na Polônia. Desde 2013 o conselho da União Européia tornou obrigatória a promoção dos direitos LGBT como política externa[iii], mas dos 28 países membros, apenas 7 continuam definindo o casamento como a união de um homem e uma mulher. A Polônia é um deles.

Inúmeras diretrizes emitidas pelos líderes da União exigem que os países membros se rendam e modifiquem suas leis para aceitar itens típicos da agenda globalista, sob pena de sanções e perdas de recursos financeiros. Até agora os poloneses preferiram não se subjugar por dinheiro, ainda que sob conflitos internos entre a população conservadora (metade oriental do país) e a progressista da metade ocidental, mais influenciada pela mídia global e eleitora de partidos de centro e esquerda. Ao resistir à agenda progressista, eles inspiram outros movimentos similares por toda Europa.

Uma Frase que exemplifica uma conduta!

Uma frase que exemplifica a postura de resistência polonesa foi dita por Mateusz Morawiecki logo após este ser eleito primeiro-ministro em 2017[iv]:

Queremos transformar a Europa, trazê-la de volta e, como eu sonho, recristianizá-la, porque em muitos lugares as igrejas são transformadas em museus.

Essa luta, que até o momento assegurou que os poloneses mantivessem valores condizentes com suas crenças, foi travada em vários dos campos de batalha já descritos neste livro: na mídia, no congresso, nas escolas. E estes valores foram defendidos por agentes também já citados: pela família, pela igreja e pelos heróis da nação.

Continua na Parte 2, em breve.

Autor: Levi Borba, fundador Colligere Expat Consultancy, colunista da página Conservadorismo do Brasil e autor do livro O que o Brasil pode aprender com a Polônia – Lições para reconstruir um país .

[i] Dmowski, Roman; Kościół, naród i państwo, publicação original em polonês, tradução do autor. 1927

[ii] Tamma, Paola; Even where abortion is legal, access is not granted, VOXEUROP, 24 de maior de 2019.

[iii] EU foreign affairs ministers adopt ground-breaking global LGBTI policy The European Parliament Intergroup on LGBT Rights, 24 de junho de 2013.

[iv] Frase original dita em entrevista para a Rádio Maryja e TV Trwam em dezembro de 2017: Chcemy przekształcać Europę, ją z powrotem – takie moje marzenie – rechrystianizować, bo w wielu miejscach kościoły są zamieniane na jakieś muzea. Tradução livre feita pelo autor.

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