Agências de checagem criticam critérios da CPI das Fake News

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Checadores citados pela CPMI dizem que não foram consultados sobre a lista de veículos propagadores de desinformação.

Consultores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News emitiram uma nota, nesta quinta-feira (4), na qual afirmam terem incluído de forma “equivocada” o nome do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, em uma lista de sites propagadores de notícias falsas.

Os consultores legislativos também explicaram seus critérios para incluir sites na lista negra de supostos propagadores de fake news.

Eles disseram que os membros da lista registraram “comportamento desinformativo” reiteradamente, contrariando consensos científicos, difundindo “teorias da conspiração” ou apresentando conteúdos potencialmente danosos à saúde pública.

Além disso, segundo eles, foram marcados “canais nos quais existem três ou mais matérias ou conteúdos classificados como falsos, deturpados ou incorretos” pelas seguintes agências de checagem de fatos:

  • Agência Lupa;
  • Aos Fatos;
  • Boatos.org;
  • Comprova;
  • Estadão Verifica;
  • E-farsas;
  • Fato ou Fake.

Os checadores citados no relatório original, no entanto, negaram¹ ter sido consultados pela CPMI das Fake News sobre a lista de veículos propagadores de desinformação.

Agência Lupa informou:

“Não é correto afirmar que foi consultada sobre uma lista de sites produtores de ‘notícias falsas’. As checagens da Lupa não devem ser usadas de forma aleatória para classificar sites inteiros. Elas versam sobre conteúdos específicos, de forma granular.”

Aos Fatos seguiu a mesma linha:

“Aos Fatos vê com preocupação qualquer tentativa de institucionalizar fiscalização de conteúdo e não endossa listas de sites que eventualmente produzam conteúdo desinformativo.”

E-farsas declarou:

“O E-farsas não foi consultado, em nenhum momento, sobre algum possível ranking ou lista de sites propagadores de fake news e, mesmo que fosse, não cabe à nossa agência esse tipo de julgamento. Costumamos revelar qual site, perfil ou publicação originou a notícia falsa quando encontramos essa informação, mas isso não torna o citado uma publicador contumaz de desinformação.”

Boatos.org completou:

“Não é possível classificar um site como de fake news com base apenas em artigos checados. Achamos também perigosa a classificação de veículos de mídia profissionais como canais de desinformação.”

Referências: [1] 

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