Fome vai matar mais do que coronavírus, como previu Bolsonaro

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Relatórios internacionais apontam impactos da pandemia sobre a escassez de alimentos

Em meados de maio, ao defender a reabertura do comércio e a flexibilização da quarentena para governadores, o presidente Jair Bolsonaro enfatizou que “a fome mata”. Quase quatro meses mais tarde parece que outras autoridades mundiais estão despertando para o mesmo problema.

Países como Estados Unidos, Uganda e Venezuela, de realidades diferentes, enfrentam o problema comum da fome. Cerca de 132 milhões de pessoas entraram para as previsões da fome da ONU após a pandemia do novo coronavírus.

No dia 13 de julho foi divulgado o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2020. Ele alerta que a América do Sul não cumprirá o objetivo 2 da Agenda 2030, referente à fome zero, até 2030.

FALAS DE BOLSONARO
Duas falas do líder do Executivo são emblemáticas sobre este problema. O presidente Jair Bolsonaro afirmou, no primeiro semestre, que o número de mortos após a pandemia seria maior do que as vítimas do novo coronavírus. Bolsonaro se referiu especialmente a uma crise de fome.

– Ficar em casa para quem pode é legal, sem problema nenhum. Mas para quem não tem condições, a geladeira está vazia, tem três, quatro filhos chorando. Tem gente que chega em casa e tem danoninho, carne de primeira. Doria falou que é melhor o isolamento do que o sepultamento, quem ficar em casa parado vai morrer de fome, não podemos ficar hibernando em casa – disse no dia 13 de maio.

No dia seguinte, também em uma entrevista a jornalistas, expandiu o discurso.

– Tem que reabrir, nós vamos morrer de fome, a fome mata. Então, pessoal, o apelo que eu faço aos governadores, revejam essa política, estou pronto para conversar, vamos preservar vida, vamos, dessa forma (continuidade do comércio fechado) o preço lá na frente serão centenas de vidas que vamos perder – declarou.

 

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CAOS: povo quer trabalhar e passa fome. Decretos de governadores e prefeitos:

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FOME VAI MATAR MAIS DO QUE CORONAVÍRUS
O que declarou o presidente brasileiro se traduziu em números em um relatório da organização beneficente Oxfam International divulgado no dia 9 de julho. A ONG avalia que 12 mil pessoas por dia irão morrer por causa de fome provocada pela pandemia do novo coronavírus. O número de mortos pela própria doença atualmente é de 3,63 mil por dia.

Em 2030, o número de subnutridos pode chegar a 909 milhões no mundo. As crianças são alvo de preocupação. A taxa de mortalidade por fome já é maior do que de vítimas de Covid-19 desde antes da pandemia.

Na média, uma criança morre de fome a cada 10 segundos, ou seja, enquanto você lê essa matéria, ao menos 12 a 15 pequenos perderam suas vidas simplesmente por não terem a esperança de um alimento em suas mesas.

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