Analista brasileiro de investimentos diz que ter chamado Bitcoin de inútil custou caro: “Erro de 2350%”

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O assessor de investimentos Jonathan Camargo, fundador da App Investe e sócio da EQI Investimentos, fez um mea-culpa público nesta semana por ter classificado o Bitcoin em 2018 como inútil. O executivo retuítou sua publicação com uma mensagem em letras maiúsculas “O ERRO QUE ME CUSTOU 2.350% DE RETORNO”.

No dia 17 de dezembro de 2018 Camargo publicou: “Aos especialistas de Bitcoin! Qual o uso do Bitcoin na economia mesmo?”.

O executivo agora consegue enxergar dois usos do Bitcoin na economia: meio de pagamento para grandes valores e reserva de valor por ser um ativo escasso digitalmente.

O ERRO QUE ME CUSTOU 2.350% DE RETORNO! https://t.co/DPfmBNW3WZ

— Jonathan Camargo (@jcamargonyc) October 11, 2021

“Sim, eu já fui muito contrario as criptos! Errei e confesso que errei, sou humano. Resolvi aprender e mudei completamente meu pensamento! Como diria o @jlbraga (perfil no Twitter do analista de investimentos João Luiz Braga) ‘Eu sou pago para mudar de ideia’”.

Perigo de ser maximalista

Em resposta ao mea culpa, um usuário afirma que “nunca é tarde pra entrar no Bitcoin Só não seja o trouxa que vai entrar em cripto achando que é a mesma coisa”.

Camargo então demonstra ponderação: “Não são, mas nem por isso deixam de ter valor. Cuidado para não ser um maximalista e cometer o mesmo erro que eu cometido três anos atras”.

O executivo afirma que já comprou Bitcoin faz um bom tempo e que agora vai “seguir adiante”.

Conversão ao Bitcoin

Muitos investidores tradicionais estão tendo que dar o braço a torcer após críticas ao Bitcoin no passado. Em novembro do ano passado foi a vez do gestor sênior de carteiras e de fundos da L2 Capital, Marcelo Lopez, que admitiu que errou ao dizer, no final de 2017, que o Bitcoin era uma bolha que deixaria as tulipas envergonhadas.

Lopez disse que suas críticas ao ativo digital era de que jamais poderia ser dinheiro pois não era um meio de troca. Contudo, diz ter se dado conta que nenhuma forma de dinheiro que existiu antes da chegada dos bancos centrais começou como meio de troca.

“O ‘dinheiro’ começou sendo aceito como ornamento, depois reserva de valor e, finalmente, como meio de troca, sendo que esse processo demorava décadas. Mais ainda, a reserva de valor era primeiramente aceita e usada pelos mais ricos e abastados, depois ia sendo aceita pelo restante da sociedade”, disse.

 O gestor passou a classificar o bitcoin como um ideia revolucionária: “Ele acabou com a necessidade do lastro e eliminou a terceira parte (bancos), cortando custos e acelerando o processo de transferência de recursos. Meu erro no começo foi não ver que o bitcoin estava primeiramente sendo aceito como uma reserva de valor, que não pode ser inflacionada”.

Não arreda o pé

Mas existe um analista que ainda não se convenceu e continua afirmando que o Bitcoin não tem valor real. Luiz Fernando Alves, gestor do fundo de investimentos Versa, que em novembro do ano passado, no mesmo dia em que o bitcoin atingiu o então marco de R$ 100 mil, fez uma série de postagens no Twitter no qual criticou o que ele classifica de “mania” em torno da criptomoeda. Pouco tempo depois, a maior parte das mensagens foi apagada.

“Essa alucinação só mostra que não serve pra nada. Imagina se fosse a moeda de um país? É tão útil quanto um bulbo de tulipa, a diferença é o século que está inserido”, escreveu.

Para ele, a alta do bitcoin é causa pelos seguintes fatores: muita liquidez no mundo, crime organizado cada vez mais lucrativo, trafico de drogas rendendo fortunas e mania.

“Tudo isso gera demanda por essa ‘coisa’ que não serve pra nada. Tão reserva de valor quanto um bulbo de tulipa nos anos 1600”, disse.

Caso Druckenmiller

Nos Estados Unidos o fenômeno também vem ocorrendo. O bilionário Stanley Druckenmiller, considerado um dos maiores investidores de todos os tempos, disse ter se sentido sentiu um idiota por não ter investido em bitcoin mais cedo

Em entrevista concedida ao portal The Hustle em julho deste ano, Druckenmiller afirma que ficou atento ao BTC quando recebeu uma ligação do bilionário Paul Tomes — outro grande investidor de BTC — em que contou que 86% das pessoas que possuíam o ativo no topo, não venderam. 

“Isso era enorme na minha mente. Então aqui está algo com um suprimento finito e 86% dos proprietários são fanáticos religiosos. Quero dizer, quem diabos segura algo cujo preço vai US$ 17 mil a US$ 3 mil? Adicione isso a esse novo fenômeno de loucura do Banco Central”.

Esse foi o empurrão final que ele precisava para investir na moeda. Ele relata que queria comprar US$ 100 milhões em bitcoin quando a cotação estava em torno de US$ 6 mil, mas que só conseguiu comprar US$ 20 milhões tentando por duas semanas.

Ele disse que achou “ridícula” a dificuldade de comprar o criptoativo. “Então, como um idiota, parei de comprá-lo. A próxima coisa que eu soube, bitcoin está sendo negociado a US$ 36 mil”, lamenta. Ele disse que ainda possui um pouco da criptomoeda atualmente, mas que na época vendeu uma parcela. 

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