Corretoras argentinas tradicionais querem permissão de reguladores para operarem com criptomoedas

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Os operadores do mercado de capitais da Argentina estão pressionando os reguladores para que eles permitam que corretoras possam oferecer investimentos ligados a criptomoedas a seus clientes.

Atualmente, os agentes de liquidação e compensação (ALyC) só podem exercer atividades econômicas que estejam sob controle e fiscalização da Comissão Nacional de Valores Mobiliários (CNV), o que não inclui as criptomoedas como o Bitcoin.

De acordo com a agência estatal de notícias Télam, as corretoras locais pedem que a legislação vigente passe a incluir os criptoativos como investimentos autorizados para que eles possam ser ofertados dentro da lei.

Em um painel da conferência Nuevo Dinero 2021 que aconteceu na semana passada na Argentina, participantes do mercado e reguladores discutiram o assunto. 

O CEO da corretora argentina Banza, Pablo Juanes Roig, disse que “todos os dias” vê crescer a demanda de mais de 50 mil clientes para que a plataforma disponibilize a compra e venda de criptomoedas. “Acho que temos que sentar juntos para ver o que fazemos com os regulamentos”, disse no evento.

Da mesma forma que os argentinos recorrem ao dólar para proteger seu patrimônio, as criptomoedas também se tornaram uma opção, tanto por cumprir o papel de reserva de valor quanto por facilitar a entrada e saída de dinheiro no país. 

A agência Télam estimou que cerca de 2 milhões de argentinos investiram dinheiro em criptomoedas nos últimos meses. Naturalmente, as corretoras que operam no mercado de capitais querem autorização para ampliar a oferta para produtos baseados em ativos digitais.

Reguladores argentinos seguem receosos 

No entanto, os reguladores mantêm nos últimos meses um tom de alerta sobre o mercado cripto. No começo de setembro, o presidente do Banco Central da Argentina (BCRA), Miguel Ángel Pesce, disse estar preocupado com o avanço das criptomoedas no país e deixou claro que queria evitar a conexão de criptoativos com o mercado de câmbio.

Segundo a agência Télam, Pesce também falou sobre o assunto na conferência da semana passada e mais uma vez pediu cuidado aos participantes do mercado que querem oferecer esse tipo de produto: “Devemos ter cuidado com a CNV para que não haja obstáculos que gerem uma dificuldade no sistema. Devemos trabalhar juntos para que este sistema tenha um desenvolvimento positivo”.

A CNV compartilha a preocupação do Banco Central. Em maio, os órgãos emitiram um comunicado conjunto para alertar a população sobre os perigos de se investir em criptomoedas, citando que os ativos digitais não possuem as mesmas garantias previstas em outros investimentos regulados.

Por outro lado, o presidente da autoridade monetária argentina sinalizou ser mais provável a incorporação no mercado de capitais de ativos baseados na tecnologia blockchain que tenham uma rentabilidade mais previsível. 

Segundo o Télam, Pesce disse na conferência que reconhece “o desenvolvimento de criptoativos ligados à soja, por exemplo, como um sistema muito interessante para as pessoas que até hoje protegem seu capital em silobags ou no acúmulo de grãos”.

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